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MITO 15/100 Glúten engorda

mito 15Pão, macarrão, bolos, biscoitos… em tudo que é gostoso, lá está ele: o glúten. Mas, será que ele é mesmo esse vilão?

O glúten é um composto proteico derivado do trigo e de espécies relacionadas: cevada e centeio. Logo, todo alimento que for feito de trigo, cevada ou centeio, terá glúten. Existe uma doença, chamada Doença Celíaca, que é uma intolerância ao glúten, na qual as pessoas devem retirar o glúten da dieta. 

A Doença Celíaca é uma doença auto-imune, isto é, o sistema de defesa da pessoa (sistema imune) não reconhece o glúten de forma correta e acaba atacando as células do próprio intestino, causando uma reação inflamatória. Isso leva à um quadro de diarreia crônica e perda de peso, além de desnutrição e anemia. A Doença Celíaca acomete cerca de 1 a cada 100 ou a cada 300 pessoas na maior parte do mundo, sendo que a maior parte das pessoas tem sintomas mínimos. O tratamento mais efetivo para a Doença Celíaca é a dieta rigorosamente livre de glúten por toda a vida. A aveia – desde que seja pura e não contaminada com outros grãos – é segura para comer em mais que 95% dos casos.

Para saber se você tem Doença Celíaca, é importante consultar um médico. O diagnóstico é feito por exames de sangue e se necessário por biópsia do intestino.

Se você não tem doença celíaca não há necessidade de retirar o glúten da sua deita. Mas então, por que as dietas sem glúten estão tão na moda? Porque os alimentos que contém trigo são geralmente os mais calóricos, com alto teor de carboidratos, e quando são retirados das dietas as pessoas relatam que perdem peso e se sentem mais leves. Puro efeito de restrigir os carboidratos e não necessariamente efeito de retirar o glúten… então, será que é o glúten que engorda ou o excesso de glúten? 

Se você se alimentar com alimentos que mesmo que contenham glúten, mas encaixados nas calorias do seu dia, com certeza não irá ganhar peso. Pensou nisso?

Você sabe o que é o Bisfenol A?

BisfenolO Bisfenol A (em inglês Bisphenol A- BPA) é um composto inorgânico que é usado, junto com outras substâncias, na fabricação de polímeros de policarbonato e resinas epóxi, materiais que são usados na fabricação de plásticos.

Atualmente tem se estudado muito o papel do BPA no nosso corpo. Sabe-se que o BPA tem propriedades semelhantes a alguns hormônios. Isso gerou grande preocupação internacional, e em 2010 o governo do Canadá declarou esta substância tóxica e, na sequencia, os governos da União Européia e Estados Unidos baniram o BPA da fabricação de mamadeiras para bebês. No entanto, o BPA ainda está presente como composto integrante nos canos de água e também no revestimento interno das latas de comidas (os enlatados), o que permite dizer que seu uso é quase universal.

O BPA é conhecido como os disruptor endócrino, isto é, uma substância que pode imitar hormônios naturalmente produzidos pelo nosso corpo. O BPA imita o hormônio estradiol, que é um hormônio feminino, e isso em bebês tem sido relacionado ao inicío da puberdade antes do tempo certo. A nova descoberta agora é que a presença de altas concentrações de BPA na urina de crianças e adolescentes está relacionada com maior taxa de obesidade.

Enquanto os estudos ainda nos ajudam a entender melhor os efeitos do BPA algumas medidas podem ser tomadas desde já, confira abaixo as recomendações retiradas do Site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (http://www.endocrino.org.br/bisfenol/) :

1 – Use mamadeiras e utensílios de vidro ou BPA free para os bebês.
2 – Jamais esquente no microondas bebidas e alimentos acondicionados no plástico. O bisfenol A é liberado em maiores quantidades quando o plástico é aquecido.
3 – Evite levar ao freezer alimentos e bebidas acondicionadas no plástico. A liberação do composto também é mais intenso quando há um resfriamento do plástico.
4 – Evite o consumo de alimentos e bebidas enlatadas, pois o bisfenol é utilizado como resina epóxi no revestimento interno das latas.
5 – Evite pratos, copos e outros utensílios de plástico. Opte pelo vidro, porcelana e aço inoxidável na hora de armazenar bebidas e alimentos.
6 – Descarte utensílios de plástico lascados ou arranhados. Evite lavá-los com detergentes fortes ou colocá-los na máquina de lavar louças.
7 – Caso utilize embalagens plásticas para acondicionar alimentos ou bebidas, evite aquelas que tenham os símbolos de reciclagem com os números 3 e 7 no seu interior e na parte posterior das embalagem. Eles indicam que a embalagem contem ou pode conter o BPA na sua composição.

Diabetes tipo 1 pode aumentar risco de intolerância ao glúten

10/02/2014

Sistema autoimune prejudicado favorece o aparecimento dos dois males

“Há mais mistérios entre o céu e a terra, do que toda a nossa vã filosofia.” Essa frase de William Shakespeare pode mito bem ilustrar o tema desta coluna: intolerância ao glúten a diabetes tipo 1 estão relacionados?

Antes de tudo, é preciso explicar que a intolerância ao glúten, chamada de doença celíaca, é uma doença que acomete o intestino. Ela acontece porque o organismo da pessoa não reconhece a proteína do glúten, e por isso uma reação de defesa autoimune é desencadeada. O resultado é a destruição das células do intestino que são responsáveis por absorver os alimentos.

Os sintomas comuns da doença celíaca são diarreia e cansaço. Nas crianças, pode ocorrer redução do crescimento e desenvolvimento, uma vez que conseguem absorver corretamente as vitaminas e sais minerais. No entanto, uma parte das pessoas que tem doença celíaca é assintomática, isto é, não apresenta qualquer sinal ou sintoma da doença.

Foi observado que pacientes diabéticos tipo 1 apresentam mais chances de desenvolver doença celíaca, comparados com a população geral. Isso está relacionado ao fato de que o diabetes tipo 1 também é uma doença autoimune, ou seja, ocorre quando o próprio sistema imune da pessoa acaba destruindo as células do organismo. No caso do diabetes são as produtoras de insulina, chamadas células beta do pâncreas.

Mas por que existe essa associação? Aí está um dos mistérios do nosso organismo que estão sendo desvendados nos últimos anos pelas pesquisas genéticas. Cada pessoa apresenta um código de reconhecimento para o sistema imunológico, que é chamado de complexo maior de histocompatibilidade, codificado por meio do nosso DNA. Em algumas pessoas esse código de reconhecimento está com alguma alteração, e as células de defesa passam a enxergar as células do próprio corpo (como no caso das betapancreáticas) como inimigas e as atacam. Outras vezes, reconhecem alguns alimentos, como no caso do glúten, como inimigos e ocorre uma ativação do sistema inume.

Ainda existe a possibilidade de o sistema de defesa entra em contato com alguns vírus e o nosso corpo pensar que ele tem a mesma estrutura de uma célula que esteja no complexo de histocompatibilidade, como uma reação cruzada. A consequência é que o sistema imunológico passará a atacar o próprio corpo, uma vez que reconhecerá determinadas células como vírus.

Dessa forma, a explicação para que as pessoas com diabetes tipo 1 sejam mais propensas a desenvolver doença celíaca é uma alteração justamente nesse complexo maior de histocompatibilidade. Sabe-se que uma em cada 3345 pessoas no mundo terá doença celíaca sintomática, e uma a cada 200 ou 300 terá a forma assintomática. Estima-se que cerca de 2 a 10% dos pacientes com diabetes tipo 1 tenha alguma forma de doença celíaca.

Para os pacientes com diabetes tipo 1, é importante uma boa conversa com seu médico para avaliar a necessidade de pesquisar se a pessoa tem ou não doença celíaca. A principal modificação na dieta é a retirada do glúten, que está presente no trigo, cevada, centeio e aveia. A realização da dieta melhora a saúde geral da pessoa e permite que o controle do diabetes seja mais adequado. Alguns estudos até indicam melhora dos níveis de glicose no sangue com o controle do glúten na dieta daqueles que tem o diagnóstico de doença celíaca.

Para finalizar, é importante destacar que com o avanço dos estudos científicos, cada vez mais o tratamento do diabetes, tanto o tipo 1 quanto o tipo 2, passa a abranger mais aspectos e a também avaliar o paciente cada vez mais de forma global, não somente na doença ou órgão específico. Muito já foi e ainda está sendo estudado, e muitos mistérios ainda estão para serem descobertos.