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Diabetes: sem cura, mas dá para evitar

Dia nacional de combate à doença, hoje, serve para lembrar necessidade de hábitos saudáveis e controle do peso contra a moléstia

Foi com apenas 12 anos de idade que a universitária Luciana Mohallem descobriu ter diabetes do tipo 1, considerado pelos
médicos o mais raro. Na família, não havia histórico da doença até então. “Eu urinava muito, tinha muita sede, comia bastante
e só emagrecia”.

A mãe, enfermeira, logo procurou um médico. O exame de sangue revelou o diagnóstico. Desde então, Luciana, hoje com 37 anos, tem uma rotina diária a cumprir: injeção de insulina uma vez ao dia e controle de glicemia pelo menos três vezes diariamente.

Além disso, segue alimentação balanceada e, desde 2000, toma medicamento de uso contínuo para manter a pressão baixa, uma forma de proteger os rins. “Já tive épocas mais difíceis com o diabetes. Hoje, a qualidade de vida é outra. A evolução do tratamento deixa a nossa rotina mais confortável. Levo uma vida normal e meus exames estão muito bons”.

De acordo com a endocrinologista Andressa Heimbecher, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o diabetes é o aumento do nível de açúcar no sangue. “É o que chamamos de glicemia. O nível alto do açúcar pode danificar alguns órgãos do corpo, causando comprometimento de retina, rins e nervos, por exemplo. As causas dependem do tipo de diabetes. Os
dois principais são os tipos 1 e 2”, explica.

O tipo 1 é causado por fatores genéticos ou outros que afetam o pâncreas. O 2, além dos fatores genéticos, tem como causa
a obesidade.

Independentemente do tipo da doença, o diabetes se torna epidemia em diversos países. No mundo, 246 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a doença. A previsão, segundo o Ministério da Saúde, é que o número chegue a 380 milhões até 2025.

No Brasil, há 12,4 milhões de pessoas afetadas, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes. O percentual de pessoas que receberam o diagnóstico da doença passou de 5,5%, em 2006, para 6,9%, em 2013. A doença se torna mais frequente com a idade. Se dos 18 aos 24 anos a proporção de diabéticos é de 0,8%, aos 65 a prevalência sobe para 22,1%.

TIPO 2 EM ALTA
Os dados preocupam. “A incidência do tipo 1 está mais ou menos controlada. A do tipo 2 é que vem aumentando e causa preocupação. O aumento está diretamente ligado à obesidade. Nesse sentido, é preciso que a população se informe cada vez mais sobre os riscos de sedentarismo e alimentação inadequada”, diz Andressa.

A médica ressalta que, quando o assunto é diabetes, não dá para se falar em cura. Apenas, em tratamento à base de insulina e remédios, que vão reduzir a resistência do corpo à ação da insulina.

“Hoje, há estudos e pesquisas com células-tronco e a possibilidade de transplante de pâncreas para alguns pacientes. Nesses casos, dá para se falar em cura. Caso contrário, é tratamento para o resto da vida. Quando o obeso emagrece, muitas vezes consegue reduzir ou mesmo ficar livre dos medicamentos”, destaca.

REMÉDIOS DE GRAÇA
Para manter o controle da glicose sanguínea, o Governo Federal distribui gratuitamente cinco medicamentos para diabetes, por meio do programa Saúde Não Tem Preço. Desde o lançamento, em 2011, foram beneficiados 6,6 milhões de diabéticos.

Levantamento preliminar do Ministério da Saúde mostra que, de junho a novembro de 2013, cresceu 14,4% a assistência a diabéticos e 13,2% o número de pacientes em acompanhamento.

Por ser uma doença autoimune – o próprio organismo ataca e destrói as células responsáveis pela produção de insulina –, não há como falar em prevenção do diabetes tipo 1. Mas o tipo 2 pode ser evitado, mediante “combate ao sedentarismo e à  obesidade, alimentação com baixos níveis de gordura saturada e açúcar. Ou seja, uma alimentação mais equilibrada”, recomenda Andressa.

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Fonte: A Tribuna

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